::.Artigos/Cases.::

Publicado no Jornal Conta Gotas de 25/09/2002 

 

 

A COMPETITIVIDADE NO VAREJO

 
 

Podia me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui?  

 - Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato.
- Não me importa muito onde... –  disse Alice.

- Nesse caso não importa por onde você vá – disse o Gato... 

  
Lewis Carrol

      em Aventuras de Alice nos Pais das Maravilhas

 

Recentemente a revista Exame (Edição 762) publicou um artigo antecipando alguns dados do estudo elaborado pela FIESP sobre a Competitividade das Indústrias de São Paulo. Uma das constatações deste estudo é de que a  produtividade das indústrias de São Paulo, medida em valor agregado por pessoal ocupado, é de  46% em relação às empresas americanas. 

Estudos que medissem a competitividade do segmento de varejo em Minas, (com relação a São Paulo, p/e.) seriam muito bem vindos para diagnosticar e evidenciar alguns problemas de gestão, capacitação, profissionalização e competitividade do setor. 

Acreditamos que as empresas, principalmente as médias redes de farmácia, revenda de combustíveis (as quais enfrentam a cada dia uma  concorrência mais acirrada e clientes cada fez mais exigentes),  por exemplo, seriam extremamente beneficiadas com estes indicadores.

 

Números, já que estes atingem direto a sensibilidade “do bolso”, serviriam para melhor conscientizar o segmento da necessidade de profissionalização da gestão do negócio. 

Vicente Falconi, em sua cruzada decisiva pela Gestão da Qualidade no Brasil, em seu livro Gerenciamento pelas Diretrizes é categórico na sua fala:...A era em que as empresas podiam ser conduzidas somente por ” homens de bom senso “ parece haver terminado. O gerenciamento está deixando de ser “político” para ser “científico”. A sobrevivência das organizações será garantida pelo atingimento das metas impostas pelo mercado. As metas são atingidas com métodos e conhecimento. Se a Alta Administração não aprender estas coisas, a sua empresa desaparecerá do mapa. É uma questão de tempo... 

Algumas indústrias nos últimos 10 a 12 anos, vêm de certa forma fazendo o “dever de casa”. Programas de Qualidade, Planejamento Estratégico, ISO 9000, Remuneração Variável, Reengenharia de Processos, Gestão Integrada para Resultados, Treinamento em competências-chave, são práticas vistas hoje em dia. 

Empresas de ponta já contam com suas Universidades Corporativas, as quais tem por objetivo complementar o conhecimento adquirido por seus funcionários, com foco nas capacitações-chave ligadas à sua cultura, seus produtos, processos, estratégias e formas próprias de condução dos negócios.  

Mas o que dizer do Varejo? Quando se iniciará esta “longa” caminhada? 

Na nossa experiência, o que percebemos como necessário ao segmento (de uma forma genérica e salvo poucas e honrosas exceções) é a necessidade de  substituir práticas de administração pelo “bom senso, por uma profissionalização maior do negócio, através da implantação de medidas, ferramentas e projetos para aumento da competitividade,  como por exemplo”:  

·       Profissionalização do nível gerencial para descentralização das ações do dia-a-dia, permitindo ao empresário voltar-se para fora da empresa, desempenhando funções mais estratégicas.  

·   Implantação de um projeto de Gestão Integrada para Resultados, para aumento da competitividade e sustentação do  processo de descentralização; 

·         Implantação de Sistemática de Remuneração por Resultados; 

·        Investimento sólidos em treinamento e capacitação dos funcionários e gerentes;  

·        Continuidade do percurso implementando práticas da qualidade e planejamento. 

Estas e outras ações, logicamente, devem ser adequadas às especificidades de cada negócio.    

Neste sentido entendemos que estudos como o da FIESP, principalmente  para as redes de varejo, poderiam melhor conscientizar e estimular o segmento a caminhar para onde se deve ir  com o objetivo de permanecer neste mercado extremamente competitivo. Continuar no mesmo  caminho dos bons tempos de antigamente,  é caminhar para ser excluído do mercado como professa o professor Falconi:  É... só uma questão de tempo! 

  

         José Antônio Gomides: Administrador, Psicólogo, 

Sócio Consultor da Parcis Consultoria,

Diretor de Grupos da ABTD-MG,