::.Artigos/Cases.::

 

 

 

FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA ESPÉCIE

 

 


No princípio era o verbo e o verbo  

estava em Deus e o verbo era Deus...

 João I. 1

 

 

 

São perguntas tradicionais da velha filosofia: quem sou eu, onde estou, de onde vim e para onde vou...

 

Se formos buscar em qualquer religião e seita, em cada uma à sua forma, encontraremos respostas a estas questões. E é bom que haja explicações para tudo que aí esta. Porém, acreditamos que a Ciência é também um milagre divino e que no seu afã de conhecimento e no seu esforço, já produz muitos esclarecimentos e estímulos para compreensão desta nossa necessidade premente de busca de sentido...

 

Buscando na Geofísica, possuímos alguns números e constatações espantosas. Estes números nos colocam diante de um real sentido de humildade enquanto ser e nos possibilita reflexões realmente importantes sobre o tempo, sobre nossa evolução, sobre o nosso estágio e sentido.

 

Os últimos dados nos informam que a terra e seu sistema solar se formaram no mínimo a cinco bilhões de anos.

 

Nosso sol, que é uma estrela de 5a. grandeza na “infinitude” do universo de milhares e milhares de outros sistemas e galáxias tem um prognóstico de existência de mais três bilhões anos.

 

Na sua história de formação, a terra inicia sua trajetória a cerca de oito bilhões de anos, quando uma grande porção de hidrogênio foi condensada fazendo surgir um volumoso gigante vermelho que se transformou numa estrela pulsante. Depois, esta estrela se transforma numa supernova e por fim, após uma grande explosão, surge uma anã branca que segue seu trajeto como um ser vivo, conforme a teoria de “Gaya”.

 

Nesta deriva “natural”, suas condições atmosféricas e físicas continuaram em constante mutação, até que, na medida “certa” de metano, hidrogênio, amoníaco, vapor de água e carga elétrica (Miller 1953), esta atmosfera possibilita o surgimento de redes de reações moleculares que produzem o mesmo tipo de molécula...

 

Há mais de 3,4 bilhões de anos atrás, surgem então os primeiros seres vivos que ainda existem, ou seja, bactérias e algas.

 

A partir deste momento remoto, de forma sempre persistente, segue em verdadeira deriva a evolução do planeta e da vida que quer  somente viver... Todas as alterações geofísicas foram acompanhadas de evolução de linhagens ao longo de milhões e milhões de anos, período em que algumas se extinguiram, outras geraram novas formas ou sofreram grandes mudanças...

 

A mais fantástica destas mudanças (aqui não escapamos de certa dose de narcisismo), é o surgimento do humano tal como o conhecemos em sua estrutura básica atual, a qual se reporta à coisa de 50 a 100 mil anos atrás, conforme as últimas descobertas arqueológicas.

 

Nós, os Sapiens-Sapiens, que possuímos algumas particularidades físicas que vão nos distinguir de nossos parentes mais próximos, tais como um cérebro maior e mais pesado, dentre outras, possuímos, a partir desta distinção, três características fundamentais:

 

A primeira e talvez a mais fundamental, é que o ser humano domina uma linguagem sofisticada, analógica e simbólica, a qual vai lhe permitir a realização de alguns “milagres”, como por exemplo:

 

·         Dizer uma palavra e o outro visualizar o objeto, o conceito dito, seguido até de de emoção que ira “tocar” e fazer com que o outro também a sinta. É lógico que, por ser analógica, a compreensão, a exatidão do que se quer transmitir e o sentimento do outro, variarão de pessoa a pessoa. Porém o básico será compreendido.

 

·         Através da palavra, o indivíduo pode tornar-se atemporal, voltando ao passado ou viajando para o futuro, sentindo o que já sentiu ou idealizando o sentir na sua representação construída. Esta atemporalidade é que lhe permite exercer a reflexão e a análise de seus atos e ações, aprimorando-se no caminho de sua evolução, se assim o quiser.

 

Outra característica fundamental é o que o Homem é destinado ao trabalho. Trabalho aqui no sentido de transformar o meio em que vive, construindo o mundo, a si próprio e ao outro. Este trabalho pode ser desde algo concreto, como um produto, até a concepção do abstrato, como por exemplo, uma poesia.

 

A terceira é a de que o ser humano é um animal social. Por mais difícil que sejam as relações, é só a partir da recorrência com o outro que o ser sente-se ser e passa a fazer sentido. O gosto de usar a Internet e o celular comprovam esta necessidade de contato com o outro.

 

Simone de Beauvoir, através do personagem de seu livro “Todos os Homens são Mortais” nos mostra de forma angustiante esta máxima. Em resumo, seu personagem desejando imortalizar-se, desenvolve uma porção mágica que testa no seu gato e, quando vê que funciona, a toma também. O tempo passa, séculos se passam e ele começa a viver o tédio e a angustia de perpetuação, sabendo que um dia não existirá outro humano na face da terra, permanecendo só, ele e seu gato, vagando na aridez do planeta...

 

Embora a nossa espécie seja uma criança, ela realiza todas estas coisas fantásticas que aí estão.

 

É lógico que ainda hoje, na sua neonatez, o ser humano ainda precisa evoluir muito, principalmente em termos de consciência para resolver tantos males que por aí proliferam, os quais não nem cabem aqui comentar e exemplificar.

 

Afinal, James Joyce descreve bem, através de um de seus personagens do livro “O Retrato de um Artista Enquanto Jovem” essa dura realidade: “Bem vinda sejas ó vida. Vou, pela milionésima vez, ao encontro da realidade da experiência, para moldar na forja da minha alma a consciência ainda não criada da minha raça!”. Precisa dizer mais?!

 

O certo é que todas as respostas às indagações filosóficas seculares, a ciência ainda não pôde dar. Mas por certo, ao aceitarmos estas constatações, sabemos onde estamos e que nossa função é a vida, reflexiva e transformadora... Um dia, certamente quando sairmos de nossa infantilidade, atingindo nossa maturidade evolutiva, com certeza saberemos cientificamente para onde vamos... Por ora, nosso destino é a transformação...

 

 

 

 

José Antonio Gomides

  Sócio Consultor da Parcis Consultoria