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FORMAÇÃO E DINÂMICA DA PERSONALIDADE

 

  

  

 

“In” Apostila “Fator Humano I”- UFMG  

Curso especialização Engenharia de Segurança do Trabalho 

Prof. José Antônio Gomides

                                                                                     

 

Para compreendermos o Homem, temos que pensá-lo através da interação de pelo menos três fatores básicos:

 

·                O fator biológico

·                O psicológico e

·                O social.

 

Estes três fatores se interagem, influenciando-se, moldando-se mutuamente e dando uma única configuração ao todo, num determinado momento. O Homem na verdade é um sistema e, como todo sistema, suas partes estão sempre em interação, configurando o todo. A este todo em interação, denominamos indivíduo, com sua Individualidade. Embora semelhante a outro, ele é único.

 

Desde quando é gerado, inicia-se a formação de seu corpo biológico com uma série de funções complexas, a exemplo do sistema nervoso, muscular, esquelético, etc.

 

O homem, no início, possui apenas alguns comportamentos reflexos que poderiam ser chamados de instintos, como é o caso da pulsão para sugar, buscando alimentar-se no peito materno, por exemplo. Poderíamos até dizer que o Homem nasce prematuro. Sua coordenação motora é ineficaz, assim como é frágil sua musculatura. Embora seus sistemas ou subsistemas estejam configurados, será com o suporte do meio e na sua relação com este que ele se desenvolverá em busca de sua autonomia.

 

Até a idade de cinco anos, (a partir de ± 2 meses), ele viverá um processo intenso de desenvolvimento, principalmente com relação a seu aparelhamento psíquico. Os neurônios, célula nervosa constituída de seu corpo e prolongamentos (célula, dendritos e axônios) dependerá de toda sorte de experiências para desenvolver-se.

 

Na experiência vivenciada, o impulso nervoso é conduzido de célula a célula através de seus prolongamentos, configurando uma cadeia de ligações e associações que se estabelecem pelo mecanismo da sinapse. Assim, os bilhões de neurônios, a partir da experiência, saem de seu estado original de latência - como se estivessem desligados - e propagam esta vivência, a qual se associa a outra informação armazenada, criando e retendo outra configuração do vivenciado, e assim por diante. Este processo de despertar psíquico é contínuo por toda a vida do indivíduo, embora sua velocidade seja maior até os 11 anos de idade, reduzindo-se após este período. Desta forma, o ambiente, sua riqueza e o conseqüente vivenciá-lo, serão sempre decisivos não só para a criança, mas também na formação do adulto ao longo do seu processo de individuação.

 

Estas mesmas experiências que citamos é que propiciarão ao Homem desenvolver suas características próprias e únicas, uma vez que as experiências e percepções são por sua vez únicas, advindas da interação entre o Biológico, o Psicológico e o Social. E nesta relação com seu meio que ele desenvolve suas características pessoais, assimilando, através da relação com o outro, costumes, valores, hábitos, os quais serão seu referencial do mundo e seus significantes fundamentais para seu processo de individuação.   

 

Quando vemos o Homem nesta perspectiva podemos melhor compreender o que se denomina Personalidade. O Social criará condições, barreiras, estímulos, facilitações que contribuirão para formação de sua pessoa. Será sua história de vida que irá defini-lo. Seu potencial é incalculável e sua personalidade será sempre algo dinâmico, histórico, cultural, em constante desenvolver-se na relação com o outro, com o social, com seu meio ambiente.

 

 

 José Antônio Gomides é Administrador, Psicólogo, Professor  

Sócio e Consultor da Parcis Consultoria e Recursos Humanos.